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domingo, 20 de setembro de 2009

Biodiversidade: do reconhecimento à manutenção de coleções biológicas!

A biodiversidade que conhecemos hoje representa apenas uma pequena parcela da diversidade pretérita. Mesmo assim, ainda não fazemos idéia do número de organismos que habita a Terra. Estima-se que devam existir de 10 a 100 milhões de espécies, dos quais foram descritas cerca de 2 milhões até hoje, uma ínfima fração de toda a diversidade estimada, e continuam descobrindo diariamente espécies novas em todas as partes do mundo. O simples confronto desses dois números fornece a dimensão do desafio lançado aos pesquisadores que tratam de mapear a biodiversidade.

O estudo da biodiversidade, termo que carrega uma noção eminentemente histórica e evolutiva, trata de reconhecer as espécies (animais e plantas) de uma dada região, descrevê-las e classificá-las, e cabe aos museus de história natural armazenar, preservar e ordenar o acervo de espécimes, representando a diversidade biológica de organismos.

As coleções representam uma herança cultural, um testemunho da rica história do descobrimento e da expansão da sociedade em seu território nacional. É nas coleções biológicas que encontramos, além de representantes da fauna vivente, representantes da fauna já extinta, que habitou um dia os ecossistemas alterados de forma irreversível pela ação antrópica e causas naturais. Neste sentido, as coleções constituem uma base de dados essencial para os estudos de caracterização e impacto ambiental e sua importância é inegável.


A atividade museológica inicia-se muito antes de o material ser depositado na coleção. A etapa inicial consiste na escolha da área a ser amostrada, geralmente por serem desconhecidas zoologicamente e botanicamente, por conterem diversidade biológica significativa, ou por se suspeitar que abriguem espécies que permitam esclarecer algum problema biológico relevante. O pesquisador, ainda em campo, preocupa-se em etiquetar detalhadamente o material (dados de procedência, localidade, coordenadas geográficas, data e métodos de coleta, coletor). Além disso, há uma preocupação em acondicionar esse material de forma que os processos de curadoria que se seguem na instituição depositária (museu) possam ser continuados de forma a maximizar o aproveitamento desse material ao longo de centenas de anos.

Finalizada essa etapa o material é então estudado detalhadamente por um taxonomista – pesquisador responsável por descrevê-lo e classificá-lo conforme a literatura específica de cada grupo, atribuindo um nome cientifico apropriado. É nessa etapa que o especialista reconhece a existência de espécies novas e inicia o tombamento do material, ou seja, deposita esse material na coleção científica que julgar pertinente. Se a quantidade de material coletado for expressiva, o tombamento pode ocorrer por meio de lotes, caso contrário o material é tombado individualmente. A etapa de identificação é dependente de coleções. É por meio de comparações com o material já tombado que o pesquisador consegue avaliar se a espécie em questão é nova ou uma espécie conhecida. Além disso, não existem espécies em demasia nas coleções, já que qualquer material excedente é sempre um excelente material de troca entre instituições, aumentando o acervo e o valor científico de uma coleção.

A divulgação das novas espécies encontradas e de novas procedências para as já conhecidas se dá por meio de publicações científicas. Só a partir desse momento é que o nome sugerido pelo pesquisador tem validade e este deve vir acompanhado da instituição depositária do material tipo. A série tipo de determinada espécie é constituída sempre pelo holótipo – espécime ligado indefinidamente ao nome proposto para a espécie. Em casos em que há mais de um material analisado, os demais são designados como parátipos. A idéia é que, ao longo do tempo, a coleção englobe espécimes provenientes de diversas localidades dentro de sua área de escopo.

Entretanto, limitadas como são, as coleções biológicas representam a fonte mais importante de informações sobre quantas espécies existem, como são essas espécies e onde existem. Sem esse tipo de dados, estaríamos ainda na idade da pedra do estudo da Biodiversidade.
Fotos: Chico Felipe (INPA)

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