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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sobre mosquitos ....



Os nematóceros são popularmente conhecidos como “mosquitos”. Abrangem 35 famílias de Diptera, caracterizadas pela presença de antenas longas, com muitos segmentos, frequentemente com muitas cerdas nos machos.

Os representantes mais conhecidos do grupo são os pernilongos ou muriçocas (família Culicidae), borrachudos ou piums (Simulidae), a mosca-de-banheiro e o mosquito-palha ou birigui (Psychodidae), maruins, mosquito-pólvora ou mosquitinho-de-mangue (Ceratopogonidae). O renome advém do fato de algumas fêmeas de espécies pertencentes a esses grupos serem hematófagas e, consequentemente, vetores de doenças como a malária, febre-amarela, dengue, elefantíase, leishmaniose, etc. Mas a maioria das espécies não interfere diretamente no dia-a-dia dos humanos. Sua biologia está relacionada à estrutura dos ambientes naturais, como a indução de galhas em plantas (família Cecidomyiidae), fungos e matéria orgânica em decomposição (Mycetophiliformia), flores (Bibionidae, Tipulidae) e ambientes aquáticos (Limoniidae, Trichoceridae, Chironomidae, Scatopsidae). Alguns grupos, como Chironomidae e Mycetophilidae, são utilizados como indicadores da qualidade de ambientais naturais e suas alterações. Os nematóceros adultos vivem em descampados, folhagens, florestas, mangues, cavernas, desertos, cerrados, mas normalmente são bastante dependentes de umidade. As larvas estão com frequência associadas a fungos e matéria orgânica em decomposição.

Dentre os nematóceros, um grupo relativamente abundante e relevante do ponto de vista da biodiversidade são os Bibionomorpha, conhecidos desde o Triássico (cerca de 250–210 milhões de anos atrás). Dentro desse grupo, um dos mais importantes são os Mycetophiliformia, cujo nome provém do grego myceto (= fungos) e philos (= amigo de), com tórax arqueado e pernas alongadas.

Atualmente, os Bibionomorpha abrangem onze famílias –Anisopodidae, Pachyneuridae, Bibionidae, Cecidomyiidae, Sciaridae, Diadocidiidae, Ditomyiidae, Keroplatidae, Bolitophilidae, Lygistorrhinidae e Mycetophilidae–, cujas larvas com frequência se alimentam de raízes de plantas e hifas de fungos (micélios) ou esporóforos, sendo importantes no processo de decomposição da matéria orgânica em florestas, principalmente madeira e folhas. Os adultos, por sua vez, têm vida livre, com comprimento de 2 a 10 mm, frequentemente encontrados em lugares escuros, bosques úmidos, túneis e ocos de árvores, atuando na dispersão de esporos de fungos e pólen de plantas. As espécies desse grupo são conhecidas de todos os continentes exceto da Antártida.

Representantes de muitos gêneros são capturados com puçás ou vários tipos de armadilhas de coleta de insetos, como armadilhas luminosas, Moericke, Malaise, pitfall e Shannon. Nestas últimas, frutas fermentadas costumam ser utilizadas como iscas. Madeira em decomposição e fungos podem ser coletados e mantidos em laboratório até que adultos emerjam.

A fauna neotropical ainda é pouco conhecida. Um projeto recente de estudo da biodiversidade de Diptera na Floresta Atlântica já descreveu mais de 80 espécies nunca descritas antes pela ciência, mas ainda há mais de 1000 espécies por descrever. A Amazônia ainda foi pouco estudada para muitos desses grupos, com exceção de algumas áreas e, é bastante razoável esperar que sejam coletadas mais de 100 espécies novas apenas de Mycetophilidae.

Em 2010, comemora-se o ano internacional da biodiversidade. É de conhecimento geral que grande parte da diversidade no planeta está sendo perdida antes mesmo de ser conhecida. Os micetofilídeos são comuns em ambientes florestais úmidos. A precipitação média em ambientes de florestas exerce forte impacto na quantidade de fungos e, portanto, tem influência nas populações de micetofilídeos. Assim, a presença de representantes desse grupo em certas áreas pode ser um indicador da qualidade ambiental.

Cabe aos museus de história natural coletar, armazenar, preservar, organizar e conhecer a diversidade biológica. Boas coleções permitem também mapear a distribuição espacial dos organismos vivos e compreender suas relações evolutivas. Na região Amazônica, a maior coleção pertence ao Instituto de Pesquisas Amazônicas (INPA), que nos últimos anos fez um grande investimento em qualidade e quantidade, tornando-se uma das instituições mais importantes na América do Sul nessa área. Na Floresta Atlântica merece destaque a coleção do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que apesar do renome internacional, não tem recebido a mesma atenção por parte da sociedade brasileira. Na região Suo destaca-se a coleção da Universidade Federal do Paraná e, infelizmente, nenhuma instituição museológica pode ser remetida ao bioma do Cerrado, que está sendo destruído antes mesmo de ser inventariado.


Fotos: Sarah S. Oliveira
Schnusea aguarasi, Dziedzickia medea, Dziedzickia coheri

2 comentários:

  1. Oi Sarah! Eu sei que esse é um post antigo, mas vc saberia me dizer se os mosquitos soltam algum cheiro ruim? Certa vez capturei um mosquito amarelo em minha casa e coloquei dentro de um copo. Depois tive que deixar o copo de molho de tanto fedor! É um mecanismo de proteção ou é podridão dele? Grato desde já! :)

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  2. Olá! Obrigada pelo comentário. Alguns grupos de moscas carregam muitos parasitas e fungos, o que pode ocasionar este mal cheiro. Mas seria preciso ver qual mosquito/mosca você coletou para fazer uma afirmação mais confiável.

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